domingo, 17 de julho de 2011

desalento

desalento

escuto coisas lindas e então me calo em torno de meu sentimento
não trago do fundo nada alem de cansaço e descaso
brinco e rimo entrelinhas tortas na minha mente
beiro o entrelaçar de duas frases
não sai nada alem do silencio...

faço de um corpo poesia, ressoante em um ou dois copos quebrados
ecoá a dor em tomos de ignorância
vagueia entre suor e pele

acordo distante sem saber pra onde foi meu tempo
perdido entre bafos e rugidos disonantes
entre leoes e cavalos marinhos

não pude discutir a natureza de viver e a fatalidade da morte,
desiludi uma vida inteira, enquanto girava em torno de meu eixo frouxo

paro de tempo em tempo para ver alem do que me foi cedido,
fico cego pela luz brilhante que decidi não ver mais
sugo do escuro essências para poder respirar
acaba meu fôlego e desalento
me cubro de pedra e barro
e danço


(lucas de paula ferreira)

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